Tenho pensado durante o percurso da pesquisa de mestrado, na imagem das mãos. Começou com A rainha dos Cárceres da Grécia (1976), de Osman Lins. Naquele livro (melhor, desse livro, aqui ao meu lado que é de onde parte minha discussão sobre a narrativa barroca osmanina) temos a mão como imagem e estrutura de uma narrativa. Uma narrativa na qual a protagonista é envolvida pelos cinco dedos da autora que estrutura o romance em cinco capítulos,cada um relacionado a um dedo e um planeta e suas influências astrológicas .Como podemos pensar a autoria como um gesto, esta mão desaparece assim como um gesto (mas pode ser repetido-lido) estas mãos se multiplicaram, em poemas e romances, na política e na estética. A mão como uma cartografia da memória bergsoniana. Um gesto, uma digital, uma informação quiromântica, na configuração anacrônica dos astros sobre uma mão espalmada. quero postar para uma possível conversa, algumas mãos que encotrei e que irei encontrar. Penso ainda, que a mão, sua superfície e seu movimento ajudam a pensar o tempo e a imagem barroca e por extensão, a escritura.
“Voz de X - No entanto, você já deve conhecer esses ornamentos barrocos, essa vergas decoradas, esses arabescos, a mão de gesso que segura um cacho de uvas…O indicador estendido parece reter uma uva prestes a soltar-se.
Voz de X- Por trás da mão, você percebe folhagem… como folhagens vivas, de um jardim à nossa espera.
Quando a voz fala das folhagens, o detalhe ainda não está visível. Terminada a descrição é que a câmera efetua o movimento necessário (rotação, de preferência) para que o espectador o descubra.
Nesse movimento, uma mão de homem, com o indicador apontado para o detalhe observado, aparece na parte inferior da imagem, num ângulo. E ouve-se o riso de A, breve, sempre o mesmo: um riso forte, apaixonado, de bom- tom.”
O ano passado em Mariembad. Alain Robbe-Grillet, 1961, pg. 43-44
O roteiro foi dirigido por Alain Resnais. Como sabem os que viram, em resnais não acontece nada fora da memória, como em uma ilha de edição.