: Espantalho : outros afins miméticos

28 de julho de 2009

Pássaros, poemas livres do livro

Arquivado em: Sem categoria — admin @ 11:16

a  convite do SESC, elaborei uma pequna mostra de poemas inéditos e armamos uma mostra chamada PÁSSAROS, POEMAS LIVRES DO LIVRO. a mostra fez parte da segunda edição do VIA POESIA em itajaí s.c. que contou com o grupo do SARAU COOPERIFA, liderado pelo poeta sergio vaz.

a mostra com os poemas rolou na avenida hercílio luz em frente a casa (de usher) da cultura dide brandão. poderíamos chama-la ainda de a casa tomada, tomada pelo musgo, pelo tempo, e degredo. rolou ainda uma performance com o grupo do Etc e tal, liderado pelo sidval. agradeço aqui o apoio do camarada e agitador Marcelo Morais do SESC. sem mais blablabla, algumas imagens clicadas pelo amigo e fotógrafo Marcos Porto. Não menos importante o suporte desta árvore de arame feita pelo artista Juliano Trevisan.

28 de maio de 2009

Poema de circunstância

Arquivado em: Sem categoria — admin @ 12:05

zezuíno olandino, zezuíno

::[tema para melville]::

a imagem no espelho

eco eco eco

“procuro barreira e não acho

spectrum, espéculo, espécie”

‘irmão meu, mas não desce’

especiais como ola, conformes.

nível de rio, fio da faca e pouco peixe

enjoei de sua cara refletida nas escamas

no registro subcutâneo e intravenoso

[saco expulsa os peixes, convés movediço

repleto de olhos baços]

‘me multiplico ainda mais

não quero meu fantasmagongórico

ao meu lado. fantasmagoria vã, como uma rosa.

“ouço o mar ou mão em abano rápido?”

olandino viu o fantasma

não resistiu e sacou com os dentes

cada unha, unha à unha,

pra manter viva raiva raiva

olandino (assoviava o vento alongado)

“vi a vaga no reflexo da lâmina”

zezuíno olandino e olandino zezuíno

ambos fernandes. extranho extranho. nem tanto:

homo homini lupus

cara cara

vento. casco. bufa corcunda onda,

esguia faca, o peixe-o-olho-baço

eco eco de olhos dos peixes amarelando

os olhos da tripulação ainda fechados

procuravam outra imagem.

[willian wilson, disse o manoel]

zezuíno olandino -) (- olandino zezuíno

margem direita -) (-margem esquerda

[rio itajaí-açu]

talvez o rio à noite, saiba seu espelho

e afaste o barro das margens

para servir aos dois semblantes

geralmente os barcos chegam em silêncio

mas naquele, até o chaminé engasgava

engolia a seco a fumaça.

ainda algum vestígio de sangue, do acontecimento

no barbante amarrado ao cabo da faca

sábado chumbo

qual seria mais pesado:

zezuíno vivo ou zezuíno morto?

Cristiano Moreira

(A partir de um acidente ocorrido em alto mar neste mês de maio, em cuja cena, um irmão asssassina outro com uma facada no coração. Osirmãos chamavam-se Olindino Zezuíno Fernandes e ou outro, Zezuíno Olindino Fernandes. Moravam em margens opostas do rio itajaí-açu.)

22 de maio de 2009

Osman Lins no Jornal do comércio

Arquivado em: Sem categoria — Tags: — admin @ 19:33

osman-no-jornal-do-comercio Este artigo não está publicado em nenhum dos livros de coletâneas de textos esparsos de Osman Lins, Problemas Inculturais brasileiros, 1977 e Evangelho na Taba, 1979. Se alguém tiver a referência, por gentileza repasse a informação.

14 de maio de 2009

Pela recuperação da casa de Cultura Dide Brandão

Arquivado em: Sem categoria — admin @ 13:22

Chamaram os artistas para recuperar a casa.

Recuperando a casa da cultura (video por Beto Bocchino)

9 de maio de 2009

Hitchcock e Truffault

Arquivado em: Sem categoria — admin @ 6:20

Ví e catei para juntar às palhas deste espantalho uma seleção de entrevistas de Alfred Hitchcock concedidas à Françoise Truffault. O post foi publicado por no bog http://cinemascopiocannes.blogspot.com/ e copiado pelo Leonardo Cruz na Folha de S.P.. É apenas uma parte das entrevistas que resultaram no livro “Hitschcock/Truffault” (Cia das Letras). Enfim, os links:Livro com as entrevistas cedidas à Truffault por Hitchcock

Parte 1: infância, teatro e o primeiro cinema
Parte 2: o star system, “Suspeita” e “The Lodger”
Parte 3: “Juno and the Paycock” e sobreviver em Hollywood
Parte 4: fracassos iniciais e a importância de Michael Balcon
Parte 5: “Os 39 Degraus”
Parte 6: “O Agente Secreto”
Parte 7: “Young and Innocent” e “A Dama Oculta”
Parte 8: O cinema britânico
Parte 9: “Rebecca, a Mulher Inesquecível”
Parte 10: “Correspondente Estrangeiro”
Parte 11: “Um Casal do Barulho”
Parte 12: “Sabotador” e “A Sombra de uma Dúvida”
Parte 13: “Um Barco e Nove Destinos” e “Quando Fala o Coração”
Parte 14: “Interlúdio” e “Agonia de Amor”
Parte 15: “Festim Diabólico”
Parte 16: “Sob o Signo de Capricórnio”
Parte 17: “Pacto Sinistro”
Parte 18: “A Tortura do Silêncio”
Parte 19: técnicas de cinema
Parte 20: “Janela Indiscreta”
Parte 21: “Um Corpo Que Cai”
Parte 22: “Intriga Internacional”
Parte 23: “Psicose”
Parte 24: “Os Pássaros”
Parte 25: “Marnie, Confissões de uma Ladra” e “Cortina Rasgada”

3 de maio de 2009

parafernália mimética

Arquivado em: Sem categoria — admin @ 10:22

lesvagabondesheraldics

Kurt Seligmann (1900-1962)nasceu na Suíça mas naturalizou-se americano no período da guerra. Seus  pais eram bem sucedidos proprietários de lojas de móveis. Seligmann era amigo de Alberto Giacometti e do escultor Pierre Courthion com quem publicou Métiers des Hommes (Ed. Chroniques du Jours, 1934), livro cmposto por quinze textos de Courthion e quinze águas-fortes suas. Através de Giacometti conheceu Hans Arp e juntou-se ao movimento surrealista.

Sua pintura privilegiava as formas inorgânicas como os Vagabonds Heraldiques (imagem acima) e bioformas sinistras abstratas e não figurativas

Nos anos trinta seu trabalho adquiriu traços exemplarmente barrocos, enigmáticos e seus ‘mímicos’ possuiam drapeados, festões, e dobras múltiplas. Se olharmos esulturas de Bernini, certamente encontraremos traços sobreviventes.

phantom-of-the-past-1942

Este spintor surrealista barroquíssimo, pinta como se estivesse escrevendo um drama, como se estivesse escrevendo um poema de Góngora, como se estivesse lembrando ao homem o inevitável memento mori.

O traço de Kurt Seligann atualiza o barroco nas desdobras dos corpos, nas imagens elásticas destes corpos que sofrem a fragmanetção da loucura da guerra. Como escreve Mario Perniola, “palabras y contos enigmáticos son antes que nada palavras y cuentos ricos de sentido, cargados de significado, fecundos de enseñanzas preciosas”. As figuras estão prenhes, mesmo na aparente esterilidade dos corpos degredados.

saraband-1949

Kurt Seligmann cria movimentos, mímicos dançando em torno do horror, matéria envolvendo o vazio da modernidade, estes corpos mimando uma dança do século XVII, a Sarabanda, dança lena da corte. A degradação da pompa, do espetáculo, dos corpos confiscados pelo reino. Este poema silencioso embora dançante, nos mostra a potência do ruído destes ossos, destes trapos. A natureza feia. Um citação que se repete, como um passo de dança, uma pantomima.

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