: Espantalho : outros afins miméticos

4 de agosto de 2009

Por acaso na Biblioteka II

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“A interpretação figural estabelece uma conexão entre dois acontecimetos ou duas pessoas, em que o primeiro significa não apenas a si mesmo mas também ao segundo, enquanto o segundo abrange ou preenche o primeiro. Os dois pólos da figura estão separados no tempo, mas ambos, sendo acontecimentos ou figuras reais, estão dentro do tempo, dentro da corrente da vida histórica.”

Erich Auerbach – Figuras. Ed. Ática, p 46.

Texto sobre Jacques Roubaud e Alix Cléo Roubaud

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Publicado nesta revista da UNOESC

http://e-revista.unioeste.br/index.php/rlhm/issue/view/265

A imagem memória em “Algo: Preto”

de Jacques Roubaud

Cristiano Moreira

Resumo

O texto irá apresentar o projeto poético-fotográfico “Quelque chose noir de Jacques Roubaud e Alix-Cléo Roubaud. Um projeto que apresenta uma escritura-imagem como resíduo de memória, uma escritura em branco e preto que dialoga com as fotografias também em branco e preto de Alix-Cléo Roubaud. A imagem carrega consigo esse paradoxo de esvaziamento, uma espécie de ausência e, ao mesmo tempo, de sobrevivência. O livro de poemas de Jacques Roubaud, Quelque chose noir, traduzido ao português como “Algo: Preto”, oferece uma poética imbuída destes dois movimentos da imagem. Um livro réquiem, escrito após a morte de sua esposa, Alix-Cléo Roubaud uma escritura da ausência por assim dizer, composto por imagens fotográficas e de escrituras deste poeta matemático que integra o grupo OULIPO desde a década de sessenta. Seguiremos o cortejo elaborado pela memória do poeta através dos poemas-imagens que compõem esta imensa tela escura, iluminada pelas imagens-memória de Roaubaud e de Alix-Cléo Roubaud.

Texto Completo: PDF

Revista  Literatura, História e Memória

2 de agosto de 2009

MÃOS – I

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Tenho pensado durante o percurso da pesquisa de mestrado, na imagem das mãos. Começou com A rainha dos Cárceres da Grécia (1976), de Osman Lins. Naquele livro (melhor, desse livro, aqui ao meu lado que é de onde parte minha discussão sobre a narrativa barroca osmanina) temos a mão como imagem e estrutura de uma narrativa. Uma narrativa na qual a protagonista é envolvida pelos cinco dedos da autora que estrutura o romance em cinco capítulos,cada um relacionado a um dedo e um planeta e suas influências astrológicas .Como podemos pensar a autoria como um gesto, esta mão  desaparece assim como um gesto (mas pode ser repetido-lido) estas mãos se multiplicaram, em poemas e romances, na política e na estética. A mão como uma cartografia da memória bergsoniana. Um gesto, uma digital, uma informação quiromântica, na configuração anacrônica dos astros sobre uma mão espalmada. quero postar para uma possível conversa, algumas mãos que encotrei e que irei encontrar. Penso ainda, que a mão, sua superfície e seu movimento ajudam a pensar o tempo e a imagem barroca e por extensão, a escritura.

“Voz de X – No entanto, você já deve conhecer esses ornamentos barrocos, essa vergas decoradas, esses arabescos, a mão de gesso que segura um cacho de uvas…O indicador estendido parece reter uma uva prestes a soltar-se.

Voz de X- Por trás da mão, você percebe  folhagem… como folhagens vivas, de um jardim à nossa espera.

Quando a voz fala das folhagens, o detalhe ainda não está visível. Terminada a descrição é que a câmera efetua o movimento necessário (rotação, de preferência) para que o espectador o descubra.

Nesse movimento, uma mão de homem, com o indicador apontado para o detalhe observado, aparece na parte inferior da imagem, num ângulo. E ouve-se o riso de A, breve, sempre o mesmo: um riso forte, apaixonado, de bom- tom.”

O ano passado em Mariembad. Alain Robbe-Grillet, 1961, pg. 43-44

O roteiro foi dirigido por Alain Resnais. Como sabem os que viram, em resnais não acontece nada fora da memória, como em uma ilha de edição.

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