: Espantalho : outros afins miméticos

28 de maio de 2009

Poema de circunstância

Arquivado em: Sem categoria — admin @ 12:05

zezuíno olandino, zezuíno

::[tema para melville]::

a imagem no espelho

eco eco eco

“procuro barreira e não acho

spectrum, espéculo, espécie”

‘irmão meu, mas não desce’

especiais como ola, conformes.

nível de rio, fio da faca e pouco peixe

enjoei de sua cara refletida nas escamas

no registro subcutâneo e intravenoso

[saco expulsa os peixes, convés movediço

repleto de olhos baços]

‘me multiplico ainda mais

não quero meu fantasmagongórico

ao meu lado. fantasmagoria vã, como uma rosa.

“ouço o mar ou mão em abano rápido?”

olandino viu o fantasma

não resistiu e sacou com os dentes

cada unha, unha à unha,

pra manter viva raiva raiva

olandino (assoviava o vento alongado)

“vi a vaga no reflexo da lâmina”

zezuíno olandino e olandino zezuíno

ambos fernandes. extranho extranho. nem tanto:

homo homini lupus

cara cara

vento. casco. bufa corcunda onda,

esguia faca, o peixe-o-olho-baço

eco eco de olhos dos peixes amarelando

os olhos da tripulação ainda fechados

procuravam outra imagem.

[willian wilson, disse o manoel]

zezuíno olandino -) (- olandino zezuíno

margem direita -) (-margem esquerda

[rio itajaí-açu]

talvez o rio à noite, saiba seu espelho

e afaste o barro das margens

para servir aos dois semblantes

geralmente os barcos chegam em silêncio

mas naquele, até o chaminé engasgava

engolia a seco a fumaça.

ainda algum vestígio de sangue, do acontecimento

no barbante amarrado ao cabo da faca

sábado chumbo

qual seria mais pesado:

zezuíno vivo ou zezuíno morto?

Cristiano Moreira

(A partir de um acidente ocorrido em alto mar neste mês de maio, em cuja cena, um irmão asssassina outro com uma facada no coração. Osirmãos chamavam-se Olindino Zezuíno Fernandes e ou outro, Zezuíno Olindino Fernandes. Moravam em margens opostas do rio itajaí-açu.)

1 Comentário »

  1. Não sei o que disser! Mas digo, que não sei! Devo diser? Não sei. Obrigado!

    Comentário por Davi Pietro — 28 de maio de 2009 @ 13:20

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