chegou teu poema
depois que arco íris desta manhã
dançava com o outono na palheta
na tua mão imaginei estes versos
um leque que anunciava um sopro
ou a coreografia das lâminas se recolhendo
e se abrindo. livro ou flor. peso e leveza.
antes ainda
órbita derramada em cócegas
nas membranas desenhadas
em um tríptico liquefeito
é a distância, ela sim enfuna a vela do barco
e o pulmão faz dormir o vento
nos alvéolos da respiração contida
daí o mergulho em apnéia no
aberto dos desejos, no limite
corpo-oceano, confim estrelado
dança que conjura o deserto
no desdobramento do olhar já
a subordinação da mão
no desenho da ausência
talvez festa, este folguedo
ou apenas um croqui.
Cristiano Moreira