: Espantalho : outros afins miméticos

13 de junho de 2009

Por acaso, na biblioteka… (I)

Arquivado em: Por acaso na Biblioteka — Tags:, , , — admin @ 6:28

 

Criei esta sessão por conta do tempo. Em uma temporalidade q não mais esta em que escrevo e diferente daquel em que lerão, se lerem, este blog, tive a vontade de postar trechos de livros pegos ao acaso, a partir de uma deriva de gesto cujo fim da rota é a superfície de um livro. Assim sempre haverá um trecho de cada livro que ao acaso, na minha biblioteka ou em outra, em alguma deriva, eu tomar às mãos.Errar, se enlear no meio de outras tantas temporalidades

 

Por acaso, na biblioteca

 

um lance de braço

para trás

as costas eretas na cadeira alta

giratória

mão lançada ao acaso dos fólios à toa.

primeiro o tato

a sedução por contato

a viagem no tempo

no branco todo vazado de noites

a algaravia se prepara.

 

abro livro

e(n)leio:

  

    1. - O que é o poeta Popular

     

    Sobre o dom do poeta, o talento especial de “versejar”, Rodolfo não varia do pensamento também tradicional de outros vates de cordel. Considera-se poeta de berço, o talento poético nascido com ele. Falou do dom poético em 1967:

     

    Querer ser poeta e ser poeta há muita diferença. Um homem pode ter a cultura de umPedro Calmon, de um Norman Vincent Peale, de um Alexandre Dumas, de um Leon Tolstoi, mas se não tiver o dom poético, ele jamais será um trovador.(Curan, MARK J.. A presença de rodolfo Coelho Cavalcante na moderna literatura de Cordel. Rio de Janeiro:Nova Fronteira, 1987.

     

 

Rodolfo Coelho era um repentista experiente e com de verso. Era no entanto, conservador, sensor; alguns de seus folhetos eram marcados pela censura à Beatlemania, à prática da Makumba , da memsma maneira, escrevia alguns folhetos em campanhas eleitoreiras, participanto daquela que re-elegeu Getúlio Vargas em 1950. Quem quiser encontra no sitio da Fundação Casa de Rui Borbosa, um bom material sobre cordel, inclusive folhetos inteiros de autores. Daqui http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/RodolfoCoelho/rodolfoCoelho_acervo.html.

Nota informal: Lembrei do caro Rodrigo Lopes de Barros, pesquisador do assunto e, também por isso, vou colar um trecho do ABC da Makumba retirado lá do sitio da Fundação.

 

 

Imagem do Abc da Macumba, de Rodolfo Coelho Cavalcanti

Imagem do Abc da Macumba, de Rodolfo Coelho Cavalcanti

7 de junho de 2009

Alguma parceria I

Arquivado em: Alguma parceria — admin @ 16:41

Em palhoça, quando possuía um sebo,,o Arcano 17, conheci várias pessoas que se tornaram clientes e alguns pouco que permanecerem e tornaram-se amigos. O sebo para minha companheira e eu era um carrefour, um cruzamento em cuja uma das vias estávamos nós, vindos de navegantes e outras pessoas de outros lugares, forasteiros. Assim conhecemos o Éverton, o sêo, como ficou conhecido porque na ecola onde trabalhava, era o ‘Sêo de artes’. O Sêo tinha vindo de Pelotas e assumido sua vaga de professor estadual em Palhoça. Músico de mão cheia e mente ‘peca’, perspicaz e um professor responsável e crítico, inconformado com as políticas para a educação e principalmete com a inércia e apatia de professores cheios de manias e pregiça, do tipo “ah, isso não muda, é assim memso.”. èverton e eu fizemos um trabalo com intervenç~çao sonorra e poemas que resultou em uma apresentação no sesc de Concérdia em 2007.

Hoje recebi dele uma gravação de uma bossa que a quem possa , que  pare e ouça a voz desse meu grande amigo, parceiro de poesia e vida. fizemos alguns trabalhos outros, como a intervenção com o nbp http://www.nbp.pro.br/blog.php?experiencia=86.

vou tentar postar aqui o som . agora o arquivo estámuito grand, mas vou pedir para o Sêo ajustar. Deixo aqui um abração ao Sêo.

31 de maio de 2009

Meu tio Macedônio

Arquivado em: Caracteres — admin @ 16:59

Este aí da foto é um tio cujo paradeiro agora não sei. meu tio macedônio, para quem conhece, perceberá a semelhança com o autor de El museo de  la novela de la eterna. Meu tio(seu nome é Aldo Fausto) é o próprio ‘recienvenido’. é a terceira vez que aparece em toda sua vida de 65 anos. aos 17, saiu da casa de meus avós e so apareceu 27 anos mais tarde. Depois azulou no tempo. reapareceu em 1990 e este ano novamente e agora deve estar em alguma cidade indo em direção ao mato grosso ou rondônia, terras onde viveu maior parte do tempo, como agricultor, caseiro, seringueiro, maquinista. é um excelente leitor. na família, acho que o único. eu estou aprendendo.

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28 de maio de 2009

Poema de circunstância

Arquivado em: Sem categoria — admin @ 12:05

zezuíno olandino, zezuíno

::[tema para melville]::

a imagem no espelho

eco eco eco

“procuro barreira e não acho

spectrum, espéculo, espécie”

‘irmão meu, mas não desce’

especiais como ola, conformes.

nível de rio, fio da faca e pouco peixe

enjoei de sua cara refletida nas escamas

no registro subcutâneo e intravenoso

[saco expulsa os peixes, convés movediço

repleto de olhos baços]

‘me multiplico ainda mais

não quero meu fantasmagongórico

ao meu lado. fantasmagoria vã, como uma rosa.

“ouço o mar ou mão em abano rápido?”

olandino viu o fantasma

não resistiu e sacou com os dentes

cada unha, unha à unha,

pra manter viva raiva raiva

olandino (assoviava o vento alongado)

“vi a vaga no reflexo da lâmina”

zezuíno olandino e olandino zezuíno

ambos fernandes. extranho extranho. nem tanto:

homo homini lupus

cara cara

vento. casco. bufa corcunda onda,

esguia faca, o peixe-o-olho-baço

eco eco de olhos dos peixes amarelando

os olhos da tripulação ainda fechados

procuravam outra imagem.

[willian wilson, disse o manoel]

zezuíno olandino -) (- olandino zezuíno

margem direita -) (-margem esquerda

[rio itajaí-açu]

talvez o rio à noite, saiba seu espelho

e afaste o barro das margens

para servir aos dois semblantes

geralmente os barcos chegam em silêncio

mas naquele, até o chaminé engasgava

engolia a seco a fumaça.

ainda algum vestígio de sangue, do acontecimento

no barbante amarrado ao cabo da faca

sábado chumbo

qual seria mais pesado:

zezuíno vivo ou zezuíno morto?

Cristiano Moreira

(A partir de um acidente ocorrido em alto mar neste mês de maio, em cuja cena, um irmão asssassina outro com uma facada no coração. Osirmãos chamavam-se Olindino Zezuíno Fernandes e ou outro, Zezuíno Olindino Fernandes. Moravam em margens opostas do rio itajaí-açu.)

23 de maio de 2009

Osman Lins em 1973

Arquivado em: Osman Lins — Tags: — admin @ 19:47

Encontrei a fonte da entrevista e data.

Osman Lins carrega essa lâmina na carne de seus textos em prosa.  Em sua poética, brilha o suor não só do homem, mas da própria letra.

Osman Lins: “meios eletrônicos são liquidificadores mentais”

Jornal do Commercio – 18 de julho de 1973
(Entrevista concedida a Alberto da Cunha Melo)

Afirmando que os meios eletrônicos de comunicação são liquidificadores mentais ou culturais, o romancista pernambucano Osman Lins, radicado há anos no sul do país, acredita ainda que “não se pode esperar que sejam muito ágeis e vigorosos os cérebros nutridos com tal dieta”. E cita um exemplo esclarecedor: “Os dentistas têm observação que, com os liquidificadores, os dentes das crianças tornaram-se mais fracos, mais vulneráveis e que aumentaram enormemente as arcadas dentárias defeituosas. Há muitas crianças que, com os liquidificadores, passaram mesmo a não mastigar. Assim é possível que uma grande parte dos seres humanos – até toda uma civilização, quem sabe? – abdique dos livros, em benefício dos meios eletrônicos de comunicação”.

Possuidor de um estilo que, aproveitando uma análise dos irmãos Campos em relação a Guimarães Rosa, é uma espécie de microcosmo, Osman Lins é um dos mais penetrantes visionários da atual ficção brasileira. Visionário não de espectros, mas de seres complexos, reais. Traduzido para o francês, alemão e inglês, Osman Lins alcançou grande repercussão na Europa com o seu livro “Nove Novena” (publicado em Paris sob o título de “Retable de Sainte Joana Carolina”). Fez parte das antologias: “Die Reiher und andere brasiliannische Erzahlungen”, Horst Erdmann Verlag, Hamburg (Trad. Curt_Meier Clason), “Moderne Brasilianische Erzahler, Walter Verlag (Trad. Carl Heupel), e “New Directions 25 (an international Anthology of Prose & Poetry) – New Directions, New York (Trad. Clotilde Wilson).

LÍNGUA PORTUGESA

Falando sobre os fatores que determinam a penetração de uma obra em língua portuguesa nos outros países, o romancista de “O fiel e a Pedra” declarou: “Normalmente, a escolha de um livro para edição no estrangeiro, seja ou não escrito em português, faz-se mediante duas condições básicas: alta qualidade literária ou boas possibilidades comerciais. Há também um tipo de livro nosso que interessa muito: o documento social ou político. Para nós, brasileiros, é em geral mais difícil o acesso a editores europeus e americanos que para os escritores de língua espanhola”.

E explica: “Isto porque todas as editoras têm leitores em espanhol e relativamente poucas as que têm leitores em português. Mas, de um modo ou de outro, vamos furando a barreira e nomes como Austran Dourado e Dalton Trevisan, infelizmente ainda não muito lidos no Brasil, já ultrapassaram fronteiras. Ainda este ano será editado na França um romance do nosso Hermilo Borba Filho”.

UNIVERSAL E REGIONAL

Confessando que não o estimula o desejo de conceituação do universal e do regional na arte, ou mais especificamente, na literatura, Osman Lins, com prudência e a segurança de seus depoimentos, declarou: “De qualquer modo, por ser muito especializada ou acadêmica, capaz de interessar apenas a um grupo restrito de pessoas, hesito em abordar este assunto numa entrevista. Eu diria apenas que “querer ou procurar ser” regional ou universal constitui erro desastroso. Talvez deva confessar, aqui, que, tendo vivido sempre intensamente a literatura, certos problemas nunca me preocuparam. Esse foi um deles. Nunca indaguei se seria ou se deveria ser regionalista ou universalista, assim como nunca me interessou saber a diferença entre novela e romance – e outros problemas paralisantes.”

LIVRO & ELETRÔNICA

McLuhan, com todas as suas distorções da história e sua técnica “poética” do “palavra por palavra” ainda continua na ordem do dia para muitos vanguardistas auto-exilados do mundo verbal, ou seja, da “Galáxia Gutenberg”. Para esses vanguardistas e para muitos leitores uma pergunta persiste: “com o extraordinário progresso dos meios eletrônicos de comunicação, conseguirão eles chegar a sucedâneos do livro? Osman Lins é dos poucos que têm uma concepção segura sobre o tema: “Sabe? Os dentistas têm observado que, com os liquidificadores os dentes das crianças tornaram-se mais fracos, mais vulneráveis e que aumentaram as arcadas dentárias defeituosas. Há muitas crianças que, com os liquidificadores, passaram mesmo a não mastigar. Assim, é possível que uma grande parte dos seres humanos – até toda uma civilização, quem sabe? – abdique dos livros, em benefício dos meios eletrônicos de comunicação. Mas os meios eletrônicos de comunicação, o que são eles?”

E, respondendo à sua própria pergunta, considera-os “liquidificadores mentais ou culturais. Não se pode esperar que sejam muito ágeis e vigorosos os cérebros nutridos com tal dieta. Por outro lado, parece-nos muito mais digna a relação leitor-livro que a relação receptor-meio eletrônico. Um livro não entra pelo seu ouvido ou pelo seus olhos. Você não é, ante o livro um ser passivo. Um livro você lê. Você é, diante do livro, alguém que age: você o conquista. Palavra a palavra, as suas páginas. Pense mais: em que outro meio encontraremos, como no livro, um campo onde a liberdade pode esplender com mais força?”

Sobre “Nove novena” um dos seus livros mais famosos diz Osman Lins: “Eu diria que, com ‘Nove Novena’, restringe-se – ou é menos aparente – a dívida que todo escritor tem para com os que o antecederam. Isto é: com ‘Nove Novena’ eu atravesso um certo limiar e conquisto uma visão mais pessoal do mundo e da própria narrativa. Aliás, eu gostaria que uma das novelas desse livro fosse mais divulgada no Recife. Enviei, recentemente, uma carta à Editora Martins comunicando que não mais desejo ter os meus livros publicados por intermédio daquela casa. Uma das razões da minha decisão é certa ausência de dinamismo na organização da empresa, coisa muito prejudicial à divulgação de uma obra literária, principalmente se esta obra não segue os figurinos já conhecidos ou se o autor não pertence aos famosos júris da TV”.

Cita, em seguida, a sua novela que gostaria de ver nas mãos dos recifenses: “Intitula-se ‘Perdidos e Achados’. Há, nessa novela, uma grande presença do Recife: narra a história de uma criança que desaparece, certa manhã de verão, na praia de Boa Viagem. Quanto a ‘Avalovara’, sendo uma obra ampla e bastante complexa, torna-se difícil de falar sobre ela numa conversa breve. Também se passa no Recife e em Olinda uma das partes do livro, a que narra a paixão – atraibuída e exaltada – do protagonista por um andrógino. Acrescento que ‘Avalovara’ é nome inventado e refere-se a um pássaro também imaginário, que surge a certa altura da obra. Esse pássaro, entre outras coisas, é um símbolo do meu romance, no qual, por assim dizer, está toda a minha experiência como escritor e como homem”.

Fonte: http://www.cafecolombo.com.br

neste site, postado peloRenato Lima em 22.05.2008 – 11:47.

22 de maio de 2009

Osman Lins no Jornal do comércio

Arquivado em: Sem categoria — Tags: — admin @ 19:33

osman-no-jornal-do-comercio Este artigo não está publicado em nenhum dos livros de coletâneas de textos esparsos de Osman Lins, Problemas Inculturais brasileiros, 1977 e Evangelho na Taba, 1979. Se alguém tiver a referência, por gentileza repasse a informação.

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